terça-feira, 22 de abril de 2014

Sangue derramado na Lua e tudo o que ele não significou


Faz quase uma semana que a lua mudou de tom e quase uma semana que eu comecei esse texto e eu ainda continuo no mesmo tom. Eu sentei pra escrever esperando a lua mudar de cor acima de uma atmosfera nebulosa que não me deixaria ver. Acho que era pra ser um pouco sobre todos os pormenores astrológicos envolvendo eclipses lunares em 2014, aqueles que eu não fiz questão de pesquisar assim como provavelmente você também não fez, ou pelo menos não tão a fundo.

A Lua ficou vermelha e o meu coração permaneceu azul. Talvez meu erro fosse ir tão a fundo em algum momento. Você não investiga a sua garota, você não a cerca, menos ainda quando ela já deixou de ser a sua garota. A Lua pode mudar de cor desenfreadamente, como um globo de luz colorido em uma festa nos anos 50 e você ainda não segue a sua garota.

Tem um ditado popular que diz que quem procura, acha. Muitos ditados populares não tem sentido nenhum, este não se inclui neste grupo. Falando assim eu volto a parecer um corno escrevendo sobre uma mulher que traiu.

A Luz da Manhã poderia ter transado com quantos caras ela tivesse vontade e provavelmente ela fez isso, principalmente depois de terminar comigo, porém mulher nenhuma tem o direito de fazer o que ela fez pra um cara que pensa como eu penso, que sonha como eu sonho, que olha a vida como eu olho.

A Lua mudou de cor e naquela hora eu parei de escrever e repensei muitas das coisas que eu ando fazendo e não deveria. Eu pensava enquanto não bebia o whisky que esqueceram na minha mochila, enquanto não olhava pela janela e enquanto não via a Lua Sangrenta no céu cinzento de Curitiba.

Talvez se aquelas nuvens tivessem se dissipado o sangue derramado sobre a Lua já aliviasse minha sede por ver mais sangue derramado, mas elas não desapareceram e eu acordei com uma puta energia nova pra levar tudo até o fim, foi então que eu vasculhei mais ou pouco a vida da Luz da Manhã e descobri que ela se rendeu e abriu mão da convicção que tinha a respeito de vida social: agora ela também usa o Facebook.

Foi assim que eu descobri que se eu quero que ela encontre tudo isso aqui ao acaso, eu preciso me aproximar um pouco mais da vida virtual dela. Eu fui e criei a página Distração Responsiva, na maior rede social digital do planeta terra, no lugar onde as amenidades se tornam ásperas e abismo temporal entre as pessoas são infindáveis.

O que você pode fazer? Acessar a página Distração Responsiva. Se você nunca disse que não teria um perfil no Facebook, não precisa se envergonhar por ter um.

A ironia cercando este texto, os fenômenos envolvendo a Lua e os projetos envolvendo a minha vida, a da Luz da Manhã e de mais 4 pessoas é tão incrível, que eu daria todo meu dinheiro pra ver a reação de qualquer um deles ao ler este texto, uma semana depois de olhar pro céu e ver a Lua coberta de sangue.